05:04

"Como é difícil acordar calado, se na calada da noite eu me dano. Quero lançar um grito desumano, que é uma maneira de ser escutado." ( Cálice - Chico Buarque)

É exatamente isso que invade meus pensamentos, nestes dias tão vazios. O ano de dois mil e dez está fantástico pra mim... A fantasia é tanta, que as vezes me esqueço de como era boa aquela simplicidade veloz. Já faz um tempo que a personalidade não é o meu forte, mas isso vou deixar pra esclarecer na terapia que eu sempre vou adiando, por preconceito, talvez.
Eu sempre fui livre de apegos, mas sempre acabo provando do feitiço que vira contra o feiticeiro.

Cá estou, mais uma vez.

04:02

just like love


Eu sempre busquei escrever sobre sentimentos. Talvez porque eles explodam dentro de mim todos os dias. Independente de bons ou ruins, quando eles aparecem em mim sofro com a intensidade que eles me oferecem, sem piedade.
Sem dormir, esta noite foi dolorida. Saber que a distância é tão cruel aumenta a maneira com que meu coração engasga e tenta saltar até a garganta pra ver se consegue de vez escapar pela boca. Mas eu sou rápida e antes mesmo dele tentar sair, eu o agarro com todas as forças fazendo com que ele volte pro lugar certo, no peito aberto.
(Eu ia começar essa frase dizendo que a saudade é uma desgraça, mas seria injusto). A saudade alimenta os desejos. Ela vem com toda a força no primeiro dia de distância, mas conforme os dias passam, ela devora os pensamentos e os substitui pela verdade de que o próximo dia juntos está perto. Ela é faceira, ela é charmosamente cruel.
E assim inicio a manhã de segunda-feira: Presa na saudade deliciosamente dolorosa.
-

Olha, menino, se você continuar com esses olhos marotos, eu vou me deitar em seus braços pra nunca mais largar!
Eu gosto do bem que você me dá, eu gosto do amor que você me traz.
Eu gosto de andar de mansinho até a janela e olhar a Lua e pensar que ela está no mesmo lugar pra nós dois.
Menino que encanta, faz meus dias fascinantes.
De onde vem toda essa alegria que estampa seu sorriso de dentes brilhantes?
De onde vem todo esse amor que você me dá?
Ah, menino... Não te cuidas que eu de ti cuido.
Não se abra, senão eu me abro em ti.
Te amo tanto que seria capaz de me queimar, buscando o Sol pra te dar.
Menino dos meus olhos.
Seus olhos... Que olhar!

17:48

Olhar de menina

Olha pro céu, menina. Apaga o fogo que existe dentro de você em um simples mergulho no mar, depois de pular as sete ondas e fazer um pedido pro seu ano iniciar.
Pula na areia, dá uma estrelinha de pernas pro ar e olha pro céu. Imagina um arco-íris num dia de Sol e canta como se estivesse sozinha deitada no colchão de areia da praia.
Senta do lado do teu amor e conta pra ele qual é o seu sonho. Não minta, menina. Conta pra ele até aquilo que te envergonha, conta pra ele o motivo de tanta felicidade estampada no seu sorriso.
É tão bom andar debaixo do Sol, sentir a água do mar molhando os pés e se assustar com ela batendo na perna de vez em quando. É tão bom viajar ao lado de amores.
Então, menina, não fique frustrada. Aproveita teus amores e abrace-os com aquela vontade que você tem de abraçar o mundo todo de uma vez.
Coloca tua roupa de banho e corre pro mar.
Olha pro céu, menina.
Olha pras nuvens que guardam teus sonhos de menina prestes a virar mulher.

13:01

W.


É nos momentos de pura felicidade que a tristeza sente prazer em entrar dentro do peito e afastar todos os sentimentos, nos deixando vazios.
Pessoas entram nos nossos caminhos, fazem nossos momentos eternos e depois o destino estraga tudo com apenas um passo pra esquerda.
São os sentimentos que crescem, os destinos que cruzam, leves e intensos, pairando sobre céus azuis criados pela imaginação das mentes apaixonadas.
O que está acontecendo não é normal, não está escrito em livros e não virou rotina ou exageros em série. A normalidade afeta mentes de seres desocupados que se preocupam apenas com o que é mais cômodo.
A minha aflição de medo me deixa inquieta, provoca devaneios e produz sensações jamais estudadas.

O amor também tem dessas coisas de enlouquecer e confundir cabeças.

A saudade que invade não impede que os momentos eternizados escapem de nossas lembranças e nem que o futuro dê um passo pra direita.

06:23

para você,

foto por João Coutinho


O sorriso que não sai do rosto desconcentra.
As palavras não conseguem sair da minha cabeça, não consigo transmiti-las pro papel. Eu deveria me preocupar com a distração, mas meu coração pula de alegria quando eu viajo nas lembranças de um final de tarde com o céu estampado de nuvens que parecem algodão se escondendo atrás de montanhas de pedra, junto com a chuva fina que São Paulo já perdeu. Eu gostaria de parar o tempo e repetir as doses de olhares tranqüilos e apaixonados, repetir as palavras, ouvir de novo e abraçá-lo como se fosse o último dia, só por hoje. Eu preferia ser romântica e escrever cartas de amor, mas a racionalidade faz com que eu te mostre o caminho verdadeiro, pois o da fantasia é fantástico demais para a realidade da distância. Mas o adeus não é pra sempre. Ele é a força que faz com que eu queira insistir nas minhas loucuras de sair daqui e pular em braços que até então eram desconhecidos e que ao mesmo tempo são os braços mais confortáveis que já me abraçaram. Perdi o medo e a vontade de querer saber o que será de mim daqui pra frente. A realidade exige que eu a encare de fato. Por isso vou manter esse sentimento guardado dentro de mim; por isso vou segurá-lo pela mão e saltar no primeiro abismo em busca dos meus sonhos.


Penso no dia em que tudo isso vai começar...

10:38

explode teu peito,menina.

foto por: João Coutinho
É muito mais do que eu imaginava que seria. É bem mais doce do que o favo de mel que eu experimentei no interior da cidade. É algo que domina o corpo inteiro, faz os pêlos arrepiarem, faz-me tremer. É bem mais bonito do que os poemas de amor que eu leio antes de dormir. Bem mais profundo do que as palavras Saramago ou Machado de Assis. É bem mais desafiador do que quando tento desafiar meu medo de altura. É bem melhor do que deitar pra dormir em lençóis novos depois de tomar banho. É muito mais gostoso do que tomar sorvete de amora na praia que parece raspadinha no verão. É mil vezes melhor do que escutar Chico Buarque baixinho, na poltrona do meu quarto com papel e caneta na mão. É bem mais emocionante do que qualquer filme romântico. É bem mais excitante do que “nove semanas e meia de amor”.
É muito mais do que eu imaginava que seria e mal cabe no meu coração. É bem maior do que o meu coração. É bem maior do que meu corpo inteiro e bem maior que minha fantasia.
Quero preencher-me.

08:26

do verbo apaixonar.

foto por: Day Medeiros
Meus olhos ficaram confortavelmente fixos em uma direção por alguns segundos, quando alguém me interrompeu perguntando se o café estava pronto. Pisquei e respondi que não sabia. (Maldito aquele que me faz dispersar quando estou viajando pelo meu pensamento apaixonado).
Tentei voltar meu pensamento ao lugar distante de onde veio todo esse sentimento que faz meu peito explodir. Consegui finalmente fechar os olhos e lembrar-me daquele que fez meus dias de chuva sorrirem, que me abraçou por completo, deixando seus braços encaixarem nos meus, sem medo do que iria acontecer depois.
Abri os olhos, mas ainda longe, meus pensamentos não voltaram para o presente, para o que eu realmente deveria me importar, para o trabalho acumulado, para as preocupações diárias... Meus pensamentos continuaram tão longe quanto eu gostaria de estar. Eles me prendem e fazem com que meu corpo se arrepie de lembranças. Eles me confundem e me enraivecem.
As paixões me agridem, deixam marca e fazem doer meu estômago com seu ácido corrosivo. Elas não têm piedade quando fazem com que eu me perca no seu jardim que se transforma em labirinto, elas simplesmente aparecem sem se importar com a minha ordem de não querê-las perto de mim; dentro de mim.
Tudo poderia ser mais fácil, mas infelizmente o ser humano ainda não descobriu um antibiótico para fazer arrancar as paixões de dentro da gente como num truque, estalando os dedos.
Fecho os olhos novamente, dessa vez tentando seriamente voltar para o mundo real. Respiro vagarosamente até meu pensamento ficar sem resquícios de pessoas, até meu pensamento ficar vazio. Tão vazio quanto eu, antes de conhecer a paixão.
Finalmente volto pra rotina.
E as pessoas falam, olham e puxam conversas sem sentido.

Apaixonar-se é um sofrimento opcional.